Filhotes e jovens necessitam, em função do crescimento, de maior suplementação proteica, que pode ser progressivamente diminuída até atingirem um ano e meio de idade. Mas atenção: não pode haver excesso, como em tudo. Em torno de 25% de proteína líquida no alimento oferecido é suficiente. Outro fator importante é o conteúdo energético.
Nos primeiros 20 ou 25 dias, o ideal, como a qualquer animal, pois a Natureza é sábia, é exclusivamente leite materno. Também recomendo cortar as pontinhas brancas das unhas das patas dianteiras dos filhotes a cada semana ou dez dias, para que não causem desconfortos à mãe. Se necessário, alguma pomada para as mamas, evitando inflamações e mastites.
Nem sempre o recomendável aleitamento materno exclusivo é possível. Às vezes a mãe não é tão solícita assim. Às vezes a ninhada é muito numerosa, e elas têm apenas oito ou, quando muito, dez mamas que produzem. A mãe também pode ter algum problema de saúde ou até faltar totalmente. Nesses casos, podem ser necessárias suplementações com mamadeira. O leite a ser usado deve ser, sempre que possível, o de cabra, mais próximo do leite materno, pois o de vaca é muito forte para os frágeis intestinos dos bebês. Em último caso, se impossível obter o de cabra, então leite semidesnatado.
Ao longo da criação, registrei exemplos de receitas para mamadeira a serem ministradas ao longo do dia, de duas em duas horas, no máximo três. Mas esse tipo de cuidado, principalmente com filhotes tão pequenos, precisa ser conduzido com muita atenção e, sempre que necessário, acompanhamento veterinário. A partir dos 20 ou 25 dias, pode ser acrescentada comida seca ou úmida, ao menos duas vezes por dia, se continuarem mamando na mãe. Se não forem amamentados, por qualquer motivo, nem mesmo durante a noite, então ao menos quatro vezes por dia, ou mais.
Há criadores que recomendam, antes de introduzir a ração, oferecer por alguns dias carne crua moída de primeira qualidade, porque seria mais digestível ao frágil intestino deles do que as rações industrializadas. Tudo, tempo e quantidade, vai depender da observação da consistência das fezes. A ração deve ser sempre de filhote e super premium. Nessa idade, por já possuírem dentinhos fortes e as rações de filhotes serem miúdas, não é necessário amolecer com água ou leite. Seca, mesmo. Os sachês úmidos, nobres, sem corantes ou conservantes, são muito bem aceitos nessa fase.
Possível também, de vez em quando, oferecer uma vitamina, uma vez por dia, desde que faça sentido para aquele filhote e para aquele momento. A partir do 30º dia, em média, sempre lembrando que cada caso é um caso e que indivíduos são particulares, a mãe não amamenta mais. Pode chegar aos 45 dias, mas com uma rara amamentação em pé, jamais deitada. E eles também vão perdendo o interesse, com a introdução da comida.
Até os 3 meses, nutrir no mínimo quatro vezes por dia. Dos 3 aos 5 meses, três ou quatro vezes por dia. Dos 6 meses em diante, três vezes por dia, até os 15 meses, quando podem ser alimentados como os adultos, duas ou três vezes por dia. Se a opção for alimentação úmida, comida preparada, ao invés da ração, então 70% de carnes e 30% de cereais e vegetais.
As gestantes, parturientes e lactantes também necessitam de alimentação mais proteica. Se úmida, 70% de carnes e o restante de cereais e vegetais. Se seca, ração para filhotes, sempre super premium, se possível. Pode acontecer que, ao final de um parto, especialmente se a ninhada for numerosa e o parto muito longo, a cadela não se interesse por comida. Nesses casos, pode precisar de uma reposição energética rápida e eficaz.
Normalmente doces não são recomendados, mas em situações muito específicas de necessária reposição energética, entendo que o mais importante é observar a cadela, sua disposição, sua recusa ou aceitação de alimento e a urgência daquele momento.
Já os idosos, os senhores gentis, no último terço da vida, e assim considero, infelizmente, pela expectativa baixa de vida da raça, a partir dos sete ou oito anos, necessitam de uma alimentação mais específica, com menor carga proteica. Assim, no caso da alimentação natural ou úmida, inverte-se a proporção de proteínas ministradas aos filhotes: 30% de carnes e 70% de cereais e vegetais.
Essa talvez seja uma das ideias mais importantes quando falamos de nutrição: fase de vida importa. Filhote não come como adulto. Gestante não come como cão comum. Lactante não pode ser tratada como se nada estivesse acontecendo. Idoso precisa de outro olhar. O Dogue Alemão cresce rápido, pesa muito, amadurece cedo e envelhece antes do que gostaríamos. Por isso, alimentar bem não é apenas escolher uma boa ração ou preparar uma boa comida. É compreender o momento do cão.
É observar, ajustar e respeitar o corpo, a idade, a fase e a necessidade de cada um. Nutrição não é apenas alimento. É leitura do momento de vida do cão.