Alguns petiscos podem ser oferecidos entre uma refeição e outra. Considero os ossos como petiscos importantes. Os de frango, preferencialmente crus, excluídas as unhas e o bico. Os de boi, preferencialmente aqueles que não lascam, como fêmur. Outras partes podem ser oferecidas, mas sob supervisão contínua.
Outros bons petiscos são maçã e cenoura, embora nem sempre eles se interessem tanto quanto pelos ossos. Abacate também costuma agradar, mas todo petisco, principalmente em cães grandes e ansiosos, deve ser oferecido com atenção. Petisco não é refeição. Não deve virar excesso, compensação emocional ou substituto de uma alimentação bem conduzida. Ele entra como complemento, agrado, estímulo ou parte da rotina, mas sem desorganizar o que realmente sustenta o cão todos os dias.
Sobre suplementos, a primeira ideia é simples: se os níveis nutricionais fossem sempre respeitados na dieta diária, a princípio eles não precisariam ser indicados. Mas a vida não é uma conta parada. Inúmeras variantes podem mudar as necessidades a cada instante. Há situações específicas envolvendo pele e pelo, reprodução, gestação, lactação, imunidade, estímulo de apetite, intestino, envelhecimento, articulações e aquela conhecida escola de samba na barriga.
Se a dieta não oferece regularmente alimentos ricos em cartilagens, condroitina, glucosamina e colágeno, considero útil avaliar esses elementos para filhotes, idosos e, em alguns casos, para todos, sempre de acordo com a necessidade individual. O colágeno também é importante. A respeito, quase a totalidade dos suplementos, e até remédios oferecidos no mercado, quando manipulados, costuma ser mais econômica. Mas manipulação precisa de critério. Não é porque algo pode ser manipulado que deve ser usado sem avaliação.
Ao longo da criação, também tive experiências com fórmulas, produtos e suplementos voltados a articulações, reprodução, lactação, apetite, intestino, pele, pelo, alergias e situações específicas de saúde. Essa é a parte que mais exige prudência. Nome de produto, dose, cápsula e manipulação não devem ser tratados como receita universal. O que serviu para um cão, em uma condição específica, pode não servir para outro. Filhotes, idosos, gestantes, lactantes e cães com condições de saúde exigem atenção ainda maior.
Há situações em que suplementos podem contribuir muito. Há outras em que a resposta está na dieta. Em outras, na vermifugação. Em outras, na rotina, na higiene, no ambiente, no descanso, no controle de umidade, na investigação veterinária. Querer resolver tudo com produto é um erro. E erro, em cão grande, costuma aparecer depressa.
Em casos de diarreia e intestino esquisito, por exemplo, se os vermífugos estiverem em dia, algumas medidas podem ajudar. Mas aos filhotes e idosos, é melhor intervir logo. São fases mais sensíveis, que não merecem espera irresponsável. Aqui, mais uma vez, entra a responsabilidade: observar, avaliar e consultar quando necessário.
Problemas de pele e pelo, alergias e fungos também aparecem como pontos de atenção, especialmente nos azuis e em locais mais úmidos. Ambientes chuvosos e úmidos podem exigir cuidados adicionais com os locais onde dormem e passam a maior parte do tempo. O ambiente também adoece ou ajuda a curar. Não adianta olhar só para o pote de comida e esquecer o chão onde o cão dorme, o lugar onde passa o dia, a umidade, a ventilação e a higiene.
Em situações articulares, como artrite, artrose e reumatismo, também tive experiências pessoais com alternativas que trouxeram bons resultados ao longo da criação. Mas, novamente, cada caso é um caso. O Dogue Alemão é grande, pesado e sensível em muitos aspectos. O tamanho impressiona, mas também exige mais cuidado com articulações, pele, digestão, peso e envelhecimento.
Suplemento não substitui dieta bem conduzida. Produto não substitui observação. Manipulado não substitui veterinário. E internet não substitui consulta. Tudo isso deve ser lido como experiência de criação, não como bula.
Agradeço a Deus, que colocou essa maravilhosa raça na minha vida desde 1977, ininterruptamente. Agradeço também aos criadores Schirlei Severo, Nelson Carnaval e Emma Garcia, que sempre compartilharam inúmeras experiências nutricionais comigo, com imensa paciência e boa vontade. E ao DAC, Dogue Alemão Clube, pela contribuição à raça e aos estudos sobre nutrição para gigantes.
Cuidar de um Dogue Alemão exige amor, mas amor sozinho não basta. É preciso observar, estudar, perguntar, corrigir e repetir o básico bem feito todos os dias.