Na alimentação úmida, a proteína, a carne, é ingrediente indispensável em qualquer receita, ou mesmo quando oferecida só ela. Se for conhecida a origem e a qualidade, não há malefício em ser servida crua. O sistema digestivo do cão, ancestralmente, é preparado para isso. Apenas as vísceras, como fígado, bucho e semelhantes, recomenda-se cozinhar. Mas a maioria das carnes perde propriedades quando processada ou cozida.
Quanto às carnes, podem ser frango, outras aves, bovina, suína ou caça. Mesmo peixes, desde que isentos de espinhas. Em uma das refeições, há anos, ofereço diariamente pescoço de frango cru. Ainda que os ossos do frango cru sejam inofensivos às potentes mandíbulas dos Dogues, nos pescoços e nos pés predominam cartilagens e tecidos conjuntivos, ricos em condroitina e glucosamina, compostos naturais que beneficiam a saúde das articulações, reduzindo inflamações.
Há também presença de colágeno, minerais e cálcio, essenciais para a saúde óssea e dental. Sempre cuidado com higiene e riscos bacterianos. Por isso, devem ser adquiridos previamente congelados. Devem ser oferecidos crus, pois o cozimento altera a estrutura molecular do colágeno.
Por muito tempo também ofereci, em uma das refeições diárias, e às vezes ainda o faço, uma receita cujas proporções adequadas de cada ingrediente consultei com veterinário nutricionista para cada indivíduo. Inicialmente cozinho fígado de frango. Quando a água começa a reduzir, acrescento arroz integral. No final, quando o arroz já cozinhou e ainda está úmido, acrescento beterraba pequena, cenoura ou porção equivalente de abóbora, um pedaço de gengibre, tudo moído no processador. Misturo tudo, deixo acabar de secar, desligo, tampo e depois ofereço.
Esses ingredientes podem ser substituídos por outras raízes, como inhame, cará, taiá e todos os tipos de abóboras. O arroz, preferencialmente integral, pode ser substituído por outros grãos, como lentilhas e quinoa. Outras receitas semelhantes podem incluir vegetais, preferencialmente os ricos em proteínas, como couve, espinafre e taioba, mas desde que cozidos junto com o arroz. Os cães não têm amilase salivar para iniciar o processo digestivo e, para conseguir quebrar a fibra, precisam que esses alimentos sejam bem cozidos.
Maçãs cruas também podem ser acrescentadas, pois são ricas em pectina, que facilita o trânsito do bolo fecal no intestino, além de causar fermentação no cólon, o que promove melhor absorção dos nutrientes. Em outras receitas, a carne pode ser substituída por qualquer outra: frango, desde que contenha também carne e não apenas carcaça, boi, porco, qualquer parte, vísceras ou não. As peles não precisam ser descartadas, pois são ricas em colágenos.
De uma maneira geral, independente de receita, para cães adultos, de 18 meses a 7 anos, o básico é de 50% da porção com carnes e 50% de arroz com vegetais. Não acrescentar em nenhuma receita cebola, alho, sal ou temperos de forma contínua. Eles adoram nossa comida, nossos restos. De vez em quando, desde que a comida não seja muito condimentada, não vejo malefícios em oferecer um resto nosso, pois odeio jogar comida fora, desde que o cão esteja saudável e seja uma pequena porção.
O alimento preparado pode ser oferecido frio. Mas é mais palatável e de digestão mais rápida quando oferecido morno, em torno de 37 graus. Cuidado para não oferecer muito quente, pois pode queimar. Isso é mais frequente quando aquecemos uma comida que estava congelada no micro-ondas, onde uma parte, central ou lateral, pode estar mais quente que a outra, sem percebermos.
Se o animal não come toda a porção oferecida, não deixe à vontade para ele continuar mais tarde, porque ocorre proliferação de bactérias. Comida preparada exige amor, mas também exige critério. Preparar alimento para quem amamos é bonito. Fazer isso sem orientação, higiene ou medida é apenas descuido com boa intenção.