Não sou veterinário, nem mesmo nutricionista dessa área. Profissionais capacitados para orientar e receitar dietas devem ser consultados. Até porque a nutrição é relativa, na medida em que cada indivíduo tem seu metabolismo e sua particularidade, assim como nós e qualquer animal.
São apenas dicas de quem cria esses gentis grandões há décadas, sem a pretensão de ser aceito e com a humildade de ser contestado. Quando se fala em saúde, muitos aspectos podem ser abordados. Entre eles, a nutrição, que entendo como tudo aquilo que seja possível lhes oferecer para ingerir, é importantíssima. Então aqui lanço algumas experiências de vivência, também após contribuições de outros criadores e de algum estudo.
A mais importante, além do carinho e da companhia, é a água. Água fresca, sem estar aquecida pelo sol, deve ser oferecida e trocada no mínimo duas vezes ao dia, sempre lavando o recipiente em cada troca. Parece simples, mas é daquelas coisas simples que não podem ser negligenciadas. Não adianta falar de ração, comida preparada, suplementos, receitas e cálculos se o básico não estiver bem feito.
Depois da água, vem o peso. De acordo com o peso, primeira premissa. Já se estudou que a baixa longevidade dessa raça tem intensa relação com o peso, devendo-se preferencialmente manter o indivíduo com cerca de 15% a menos da média do peso da raça, considerando sexo, porte e individualidade. A obesidade, como todos sabemos, e isso se aplica a todos os seres, é fator de diminuição da expectativa de vida.
Aliado a isso, vem o estímulo aos exercícios físicos diários. Eles precisam ser estimulados, pois, como todos os cães, são muito dorminhocos, sobretudo os mais idosos. Não pense que por morar numa chácara, sítio ou fazenda, por si eles se exercitarão sozinhos. É preciso passear com eles. Isso é bom para nós e para eles. Jogar brinquedos, bolinhas, interagir.
Uma regra simples para observar se o cão está obeso é olhar de cima e traçar uma linha imaginária entre o tronco, pouco depois das pernas dianteiras, e as coxas traseiras. Não pode estar em linha reta. Deve haver um côncavo no abdome antes da respectiva coxa. Além disso, quando se olha de lado, devem ser vistas as costelas, ao menos minimamente.
Criar num ambiente ideal, onde eles possam se exercitar, é uma segunda premissa. Mas ambiente sozinho não basta. O Dogue precisa de estímulo, presença e rotina. Espaço ajuda muito, mas não substitui interação. Também é necessário proporcionar a quantidade de nutrientes necessários, como carboidratos, proteínas, fósforo, gordura e cálcio.
Quanto ao cálcio, há um mito que erroneamente pratiquei há décadas: administrar dose suplementar além do que já continha na alimentação. O cálcio em excesso pode causar prejuízo no crescimento, em tudo. Por isso, qualquer suplementação deve ser avaliada com responsabilidade.
Existem muitas tendências, experiências e opiniões. Há quem alimente somente com ração, alimento seco. Há quem prefira apenas comida preparada, úmida. E há quem utilize ambos. O importante é não transformar preferência pessoal em verdade absoluta. A nutrição precisa respeitar qualidade, fase de vida, condição de saúde e individualidade de cada cão.
Em Dogues Alemães, cuidado alimentar não é vaidade. É estrutura, saúde e longevidade. E, como em quase tudo na criação, o básico bem feito já separa o cuidado sério do improviso.