Outra premissa importante é a idade. Os filhotes necessitam se alimentar mais vezes ao dia, de forma diferenciada. Os idosos também merecem uma nutrição específica. As gestantes e parturientes, idem. E quantas vezes por dia oferecer comida aos jovens e adultos? Seguramente: se possível, jamais uma única vez. Duas, no mínimo. Eu ofereço três vezes, em porções fracionadas: de manhã, de tarde, desde que não esteja muito calor, e antes de dormir.
É um erro deixar alimento livre e à vontade o dia todo ao cão. Ideal que tenham acesso, seja no ambiente onde vivem, seja levando para passear, para que “pastem” grama ou matinhos diversos. É a forma natural de reequilibrarem a flora intestinal. É normal e saudável regurgitarem depois. Normal também a escola de samba que às vezes se ouve da barriga deles, sobretudo a ala da cuíca.
Outro importante conselho: após nutridos, devem descansar. A nutrição deve sempre vir após a atividade física, não o contrário. E melhor ainda, carinho nesse descanso. O corpo precisa receber alimento depois do movimento, não antes. Em cães grandes, esse cuidado pesa ainda mais, porque tudo neles tem proporção maior: o tamanho, a força, o apetite, o descanso e também os riscos quando a rotina é conduzida sem atenção.
E comer na vasilha no chão ou, como preferem alguns, em algum apoio elevado? Polêmica que acho inútil, pois nem uma forma nem outra lhes causa malefícios, a meu ver. Comer no chão, todos os meus comeram sempre assim e nunca tiveram problemas por isso. É ancestral. Na natureza nunca tiveram uma mesa. E quando precisam deglutir algo que lhes exige mais tempo, como ossos, por exemplo, deitam e o fazem de forma mais confortável e sem pressa. Deglutir em algum apoio, embora eu repute desnecessário, também não lhes causa mal ou desconforto.
Depois vem outra decisão comum: alimentar com ração ou comida preparada. Alimentar com ração ou comida, desde que respeitados os padrões mínimos de excelência. Alguns criadores, desconfiados das indústrias de ração e da qualidade do produto que produzem, oferecem apenas comida preparada, úmida. Outros, confiantes, oferecem apenas ração, por comodidade ou falta de tempo. Outros, como eu, mesclo as duas ofertas, por entender que tanto uma quanto outra, sendo ambas de qualidade, podem ser oferecidas simultaneamente, de acordo com o momento e o tempo disponível.
Isso significa uma das refeições diárias com comida caseira e outra com ração. Evite misturar comida na ração, porque há risco de perder os respectivos balanceamentos nutricionais. De se realçar, a favor da comida preparada, que eles comem com mais avidez e prazer. E, de outro lado, sempre é bom prepararmos o alimento de quem amamos.
Quanto à ração seca, sempre, se possível, super premium. Embora desnecessário, há muitos anos costumo regar, após servir a ração, com um fio de óleo que contenha ômegas, como os de milho, girassol, canola, linhaça ou gergelim. Ou azeite de oliva. Eles apreciam e me parece que comem a ração com mais satisfação.
Não se trata de uma guerra entre ração e comida preparada. Trata-se de qualidade, equilíbrio e atenção. Ração ruim não vira boa porque é prática. Comida preparada mal conduzida não vira saudável porque parece mais natural. O cuidado real está em observar o cão, respeitar a fase de vida, escolher bons alimentos e consultar profissionais quando necessário.
Rotina alimentar não é apenas servir comida. É horário, quantidade, descanso, movimento, fezes, apetite, calor, idade e presença. É o tutor prestando atenção em vez de jogar alimento na vasilha e achar que cumpriu sua parte. Com Dogue Alemão, o improviso aparece no corpo. E o corpo cobra.