Peso, fezes e apetite na nutrição

Publicado em: 21/07/2026

Outra premissa para orientar se a alimentação está sendo adequada, ou não, é a consistência das fezes. O chamado escore fecal. Mas atenção: ele pode estar inadequado sem que isso esteja relacionado apenas com a alimentação. Sempre se faz necessário investigar alguma possível verminose, por meio de exame parasitológico. Nem sempre só a nutrição responde por isso. Muitos fatores, como o estresse, também podem agir.

Deve-se lembrar que os Dogues têm um estômago grande e um intestino, proporcional ao seu tamanho corporal, relativamente pequeno em comparação com outras raças. Animais maiores normalmente necessitam de menos energia em relação à equação de seu peso corporal. Um elefante demanda menos energia do que um rato. Mas o Dogue Alemão é uma exceção a essa regra, demandando mais calorias diárias. Ainda assim, deve haver cuidado com o excesso indesejável, que pode interferir inclusive na taxa de crescimento.

Um cálculo básico para se apurar a energia metabolizável a ser oferecida a um Dogue é considerar o seu peso atual. Por exemplo, um cão de 60 kg, multiplicado por 0,75, resulta em 45. Esse número, multiplicado por 200 kcal, resulta em 9.000 kcal diárias. Esse fator de 200 kcal é uma média. Se o cão é mais idoso, por exemplo, menos ativo, esse número pode diminuir significativamente para 100 ou 150. Se, por outro lado, for muito ativo, o que é bastante normal em filhotes, pode se elevar ainda um pouco mais.

Isso traz por consequência a quantidade de alimento a ser oferecida diariamente a um Dogue ativo e saudável. Um exemplo: um filhote com 2 meses, pesando 12 quilos, necessita de 1.800 kcal por dia, seguindo essa lógica de cálculo. Considerando que uma determinada ração super premium filhote ofereça 4.000 kcal para cada 1 kg, após uma pequena regra de três chegamos à conta de que aquele filhote, naquela semana, precisa consumir quase meio quilo diário de ração para obter as calorias necessárias.

Sempre recordando que tais fatores são médias. As individualidades, como porte, linhagem, sexo, temperamento e estilo de vida, podem levar a diferentes cálculos de necessidade energética e, por consequência, de quantidade de alimento diário a ser oferecido. Regra absoluta: quem come menos, vive mais. Essa frase não deve ser entendida como descuido ou privação. O ponto é outro: excesso cobra preço. Em uma raça grande, pesada e de crescimento rápido, exagerar na alimentação não é sinal de amor. Pode ser justamente o contrário.

E lembrando ainda, assim como nós, que não somos máquinas, há dias em que estamos dispostos e há outros em que, por vários fatores, não estamos. O metabolismo muda e a ingestão de nutrientes varia de acordo com as necessidades momentâneas. A inapetência ou a diarreia pode acontecer em algum dia. Devemos estar atentos ao que o cão ingere nesses momentos ou, simplesmente, ao fato de ele não ingerir nada.

É normal o cão não querer comer em alguma refeição, ou mesmo por um dia todo. Mais tempo do que isso já é alerta, momento de averiguar alguma possível doença. Quando viajam, por exemplo, quase não comem, ou não comem nada, no primeiro dia. No segundo, ainda podem não estar cem por cento. Quando o tutor viaja sem eles, idem em casa. Isso é normal. O macho com cadela no cio por perto, se não for separado, pode ficar três dias sem comer. Assim como nós, em dias de calor intenso comem menos.

Por isso, nutrição não é apenas medir alimento. É observar o cão. É perceber fezes, apetite, comportamento, disposição, calor, estresse, cio, viagem, idade e fase de vida. O corpo fala, e o tutor precisa aprender a olhar. Dogue Alemão não se cria no automático.

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Observação do Vo Coeli

Este conteúdo reúne experiências pessoais de convivência e criação com Dogues Alemães. Não substitui a orientação de veterinários ou nutricionistas especializados. Dietas, suplementações, medicamentos e cuidados específicos devem ser definidos com profissionais capacitados, considerando a saúde, a idade, o metabolismo e as necessidades de cada cão.

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